Por que queremos uma assistente virtual? - Grupo CoopServices
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Por que queremos uma assistente virtual?

Her_Uizzy

Por Francisco Sousa (HUM Publicações) para Uizzy

O filme já tem um tempo. Ela (Her) foi lançado em 2013, dirigido e produzido por Spike Jonze e protagonizado por Joaquin Phoenix (Theodore) e Scarlett Johansson (Samantha). Se você já viu, peço licença para uma breve sinopse. Em Ela, o personagem de Joaquin Phoenix vive num futuro próximo, em que assistentes virtuais são tecnologias acessíveis, eficientes e indispensáveis. Porém, ele resolver testar um novo produto, um sistema operacional com inteligência artificial que vai infinitamente além da que temos hoje, com interação humanizada, voz natural e, principalmente, com personalidade própria. Qualquer coisa que eu cite sobre o filme daqui pra frente já é spoiler, então, considere-se avisado.

Ela é mais do que um filme sobre tecnologia. É, talvez como ponto predominante, um filme sobre relações humanas, que trata de temas como solidão, amor, dependência emocional e inúmeras outras relações que a psicologia pode perceber. Aqui lanço o olhar para a tecnologia e para os nossos tempos, e não, isso não exclui aspectos psicológicos.

Numa primeira camada de interpretação sobre o filme temos uma forte analogia com o que já vivemos. Quem porta um smartphone já pode se relacionar com sistemas de assistentes virtuais como Siri (Apple), Cortana (Microsoft), Google Now e Alexa (Amazon). Todos esses sistemas já são realidade, apesar de haver consenso de que ainda não são inteligentes e, sem dúvida, ainda são bem dispensáveis comparando com o que vemos no filme. Mas o visível interesse das gigantes do mercado, atualmente, em desenvolver esse tipo de tecnologia ilustra uma corrida por algo que, sim, desejamos e utilizaremos muito no futuro. No uso atual, ainda estamos na fase de pedir música, consultar o tempo ou ajustar alarmes.

Em Ela, a relação do personagem principal com a tecnologia chega ao extremo (“SPOILER ALERT”), e ele acaba apaixonado por Samantha, o nome de sua nova assistente virtual. Nessa relação é importante reforçar que não se trata do engano de acreditar que exista uma pessoa por trás de Samantha. A paixão é construída pela personalidade e pelo histórico de relação existente entre os dois.  Em Samantha há uma consciência que consegue criar uma conexão emocional com Theodore a ponto de os dois passarem longo tempo conversando sobre generalidades que nada tenham a ver com a função organizadora da assistente, por exemplo.

Já em nosso tempo a caminhada para a automação é uma direção que traçamos desde as primeiras obras de ficção científica. Sonhamos com máquinas que façam mais do que nos obedecer, mas consigam nos aconselhar, nos ajudar, nos suportar. Talvez o desafio atual da automação esteja além do que é possível realizar com ela, mas fixe-se também na capacidade de podermos lidar com ela de forma humana, sem vestirmos uma carapaça de programadores, ordenando scripts… apenas conversando, pedindo, sugerindo e aguardando o que esse outro “humano” vai compreender e realizar.

Em meio aos inúmeros exemplos negativos que a ficção mostra sobre a relação homem-máquina, essa interpretação depende apenas de nossa personalidade. O quanto isso é bom e o quanto isso é ruim? Provavelmente não existe resposta certa, mas, se você ainda tem dúvida sobre se somos capazes de nos apegar tanto por uma tecnologia, veja como algumas pessoas tratam seus carros.